segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Serenou

O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia
O pescador não tem medo é segredo se volta ou se fica no fundo do mar
Ao ver a morena bonita sambando se explica que não vai pescar deixa o mar serenar
O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia
A lua brilhava vaidosa de si orgulhosa e prosa com que Deus lhe deu
Ao ver a morena sambando foi se acabrunhando então adormeceu o sol apareceu
O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia
Um frio danado que vinha do lado gelado que o povo até se intimidou
Morena aceitou o desafio sambou e o frio sentiu seu calor e o samba se esquentou
O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia
A estrela que estava escondida sentiu-se atraída depois então apareceu
Mas ficou tão enternecida indagou a si mesma a estrela afinal será ela ou sou eu
O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia
                                                                                                                         Clara Nunes

MUNDO INTERIOR

Ouço que a Natureza é uma lauda eterna
De pompa, de fulgor, de movimento e lida,
Uma escala de luz, uma escala de vida
De sol à ínfima luzerna.
Ouço que a natureza, — a natureza externa, —
Tem o olhar que namora, e o gesto que intimidade
Feiticeira que ceva uma hidra de Lerna
Entre as flores da bela Armida.
E contudo, se fecho os olhos, e mergulho
Dentro em mim, vejo à luz de outro sol, outro abismo
Em que um mundo mais vasto, armado de outro orgulho
Rola a vida imortal e o eterno cataclismo,
E, como o outro, guarda em seu âmbito enorme,
Um segredo que atrai, que desafia — e dorme.

Machado de Assis