Não tenho nada a não ser uma estrada. Uma estrada por onde me ponho a caminhar. Ao meu lado percebo que outros também caminham pelas suas estradas. Margeamos estâncias, ora de paz e felicidade, ora de dores e sofrimentos. Na minha estrada enfrento agruras e terrenos íngremes, assim como todos os outros.
Em muitos pontos do meu percurso, outros homens e mulheres me tangenciam, e outros a interceptarem comigo, nos tornamos amigos, namorados, apaixonados. Começamos então a mirar os olhos em uma mesma direção, mas ainda assim, não decalcamos as mesmas pegadas, cada um de nós deixamos o nosso rastro particular e inimitável.
Só temos uma estrada por onde caminhar. Não sei por que tamanha pressa para chegar. Chegar aonde se esta estrada não se divisa termo, ponto de chegada, quando muito, alguns remansos de repouso, pontos de parada para que possamos refletir o melhor jeito de continuarmos a empreender a marcha; de retificar alguns passos equivocados e continuar caminhando de um modo diferente.
Nesta caminhada, o quanto sofremos carregando pesos inúteis e demoramos muito tempo para percebermos que não precisamos carregar nenhum fardo a não ser o peso do próprio corpo. Outros, ao meu lado, de tão pesados, apenas arrastam por suas estradas. De inusitado, passam por nós pessoas que marcham céleres, leves como uma pluma porque nenhum ônus lhes pesa sobre os ombros. São os que já se libertaram de todas as futilidades que ainda insistimos em carregar e que atrasa a nossa jornada.
José Aparecido Santos
Guanambi/BA, 19/08/09
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